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Estudo Socioambiental no Parque Nacional da Serra da Capivara com os professores de Teresina




Por Maria Teresinha Figueiredo


A viagem para São Raimundo Nonato ocorreu como um belíssimo desfecho para o Programa Qualiescola II de Ciências em Teresina.


Tudo ocorreu da melhor forma possível: as viagens foram tranquilas, a programação foi toda realizada, os horários foram compatíveis com as atividades, as relações pessoais foram super tranquilas e amistosas e o principal, o aprendizado foi muito amplo e intenso.


A visita à Usina Boa Esperança foi interessante, apesar de não podermos ver as turbinas funcionando, por estarem em manutenção. As perguntas do nosso pessoal surpreendeu o engenheiro que nos recebeu, muito cordial, mas que pouco sabia sobre a história da construção da usina na época da ditadura militar e sobre os impactos sociais e ambientais gerados tanto na época como atualmente. No entanto, elogiou muito as perguntas e confessou ficar estimulado a aprender mais sobre o seu próprio trabalho. Ou seja, os professores deram sua primeira lição da viagem, além de verem a extensão da barragem e aprenderem mais sobre os processos de geração de energia elétrica a partir da água. Ao passar por Guadalupe vimos o que hoje é quase uma cidade-fantasma, com o pouco do que sobrou das promessas de desenvolvimento na época da construção da barragem.


Na chegada à São Raimundo Nonato, fomos agraciados com uma bela chuva que amenizou a temperatura e garantiu um céu meio encoberto para os dias seguintes, o que facilitou as caminhadas. As duas visitas ao Parque Nacional da Serra da Capivara foram encantadoras para todos. As formações rochosas são surpreendentes, gigantescas. A caatinga começava a verdejar pelas chuvas que lá já iniciaram e pudemos observar várias espécies vegetais e suas adaptações ao ambiente tão severo. Além disso, vimos vários animais: o roedor mocó e o macaco-prego, que parecem ter posado para nossas fotos, o lagarto do lajedo com a fêmea de costas vermelhas, a andorinha que consegue ficar parada e se aninhar apenas nos paredões dos cânions formados pelas rochas, o pica-pau que derruba árvores centenárias, o casal de periquitos da caatinga, além de muitos ninhos de cupins e de formigas.


As pinturas rupestres emocionam mais do que pensamos, pois nos remetem a um passado muito longínquo de nossos antepassados, do qual só podemos imaginar como viviam, o que faziam... A visita ao Museu do Homem Americano enriqueceu, aprofundou essas questões.


Depoimentos de alguns guias somados às histórias conhecidas de professores que nasceram no local ajudaram a conhecer a história de formação do Parque, que apresenta muitas contradições. Por exemplo, visitamos a fábrica de cerâmica de alta qualidade estética, que já foi uma cooperativa, mas hoje é propriedade particular. Por um lado, sabemos que a formação do parque foi uma luta grande para garantir a preservação das pinturas rupestres e do ambiente que visitamos, em excelente estado de conservação, aliás. Por outro lado, fomos informados de que o parque ainda não tem plano de manejo do Ministério do Meio Ambiente por não ter as indenizações legitimadas, mesmo após 40 anos; que houve desolação dos moradores que precisaram sair do parque e ficaram desencontrados nas cidades, mesmo aqueles que receberam indenização; que houve ameaças e maus tratos a moradores que caçavam animais para sobreviver, enfim, um lado triste do mesmo contexto histórico da ditadura militar que encontramos em Boa Esperança.


Hoje em dia, a visão socioambiental é muito mais humana, incluindo e integrando as populações originais nas ações de formação e conservação dos parques, como o que está acontecendo ali mesmo na região, no Parque Nacional da Serra das Confusões. Mas isso só acontece com muita vigilância dos cidadãos e ainda há muito por fazer, como é o caso da usina de Belo Monte, lembrado por vários professores.


Com um roteiro muito bem produzido pelos formadores de Teresina, os professores puderam anotar muito do que observavam e aprendiam. As plenárias noturnas foram um ponto marcante na viagem: as trocas de informações, de impressões, as discussões e embates entre vários pontos de vista enriqueceram o estudo e ampliaram os conhecimentos, empurrando para mais tarde a cervejinha de quem ainda tinha energia...


Através desse estudo do meio pudemos vivenciar concretamente e perceber de fato o significado do que repetimos em muitas de nossas aulas, talvez sem perceber a devida profundidade: que o desenvolvimento sustentável é desejável, possível e necessário, quando as ações são economicamente viáveis, ambientalmente corretas e socialmente justas.


Fotos: