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Pesquisa de Campo Serra da Capivara e Hidreltrica de Boa Esperana




Por: Deise Cordeiro – IQE/Teresina


Dando continuidade ao projeto de pesquisa de campo, instrumento essencial ao ensino de Geografia, a equipe de formadores do Programa Qualiescola (Fredson Castro, Deise Cordeiro, Clayton Ferreira, Israel Costa e Edson Barrinha) e um grupo de 45 professores, desenvolveram, no período de 25 a 28 de novembro de 2011, atividades na Serra da Capivara e na Usina Hidrelétrica de Boa Esperança (Guadalupe-PI).


Assim como em outras oportunidades, o objetivo foi o de subsidiar os professores de Geografia da rede municipal de ensino acerca da importância da prática de campo para o ensino e a aprendizagem de Geografia, além de proporcionar aos docentes momentos de reflexão crítica sobre temas fundamentais para a ciência geográfica, tais como questões ambientais e energéticas. A partir das observações in loco e das discussões nas plenárias, foi fomentada a construção de conhecimento sobre a realidade piauiense, aspecto que, muitas vezes, não está presente na literatura disponível a respeito do assunto.


O trabalho de campo teve início no dia 25/11, em Teresina, onde, antes do embarque para São Raimundo Nonato, cidade polo da Serra da Capivara,a equipe de formadores fez uma plenária para discutir alguns aspectos fundamentais ao bom andamento do projeto. Dentre eles, o roteiro da viagem, os objetivos principais da pesquisa de campo, as etapas e as atividades propostas e as normas de segurança.


Leia, a seguir, o relato dos formadores a respeito das visitas e atividades realizadas.


Transcorridas as primeiras oito horas de viagem, desembarcamos em São Raimundo Nonato, na manhã de 26/11, quando nos dirigimos ao Parque Nacional da Serra da Capivara. Num primeiro momento, foram estudados os aspectos referentes à localização espacial, à área e aos municípios compreendidos na região de abrangência do Parque. Também se discutiu a respeito da importância das unidades de conservação para a manutenção do equilíbrio ecológico e do patrimônio histórico-cultural do Piaui.


Localizado no sudeste do estado, formado pelos municípios de São Raimundo Nonato, Brejo do Piauí, João Costa e Coronel José Dias, o Parque Nacional da Serra da Capivara está encravado em uma região muito carente e de clima semiárido.


De acordo com dados da Fundação do Homem Americano, a criação do Parque teve três importantes motivações:

  • uma de ordem cultural, uma densa concentração de sítios arqueológicos, a maioria com pinturas e gravuras rupestres, nos quais se encontram vestígios extremamente antigos da presença do homem - cerca de 100.000 anos a.C. Atualmente estão cadastrados 912 sítios, entre os quais, 657 apresentam pinturas rupestres, sendo os demais ao ar livre - acampamentos ou aldeias. Essas características conferiram ao Parque Nacional da Serra da Capivara, o título concedido pela Unesco, de patrimônio cultural da humanidade. A partir das escavações e estudos promovidos pela doutora Niede Guidon,foi possível revisar a teoria sobre a chegada do homem ao continente americano, visto que há no Parque os mais antigos vestígios da presença do homem nas Américas.
  • Do ponto de vista ambiental, trata-se de uma área semiárida, fronteiriça entre duas grandes formações geológicas - a Bacia Sedimentar Maranhão-Piauí e a Depressão Periférica do Rio São Francisco – apresentando formas variadas de relevo – serras, vales, planície,morros, com vegetação de caatinga, ressaltando que o Parque Nacional Serra da Capivara é o único situado exclusivamente no domínio morfoclimático das caatingas. A unidade abriga fauna e flora específicas e pouco estudadas. Trata-se, pois, de uma das últimas áreas do semiárido, possuidoras de importante diversidade biológica.
  • Quanto ao aspecto turístico, a região do Parque se reveste de paisagens de uma beleza natural surpreendente, com pontos de observação privilegiados. Esta área possui importante potencial para o desenvolvimento do turismo cultural e ecológico, constituindo uma alternativa de desenvolvimento para a região.

Na tarde de 27/11, visitamos o Museu do Homem Americano e lá tivemos uma ideia mais completa a respeito da riqueza histórico-cultural da Serra da Capivara. Numa atmosfera que mistura rusticidade e alta tecnologia – que permite uma interação com o visitante –, verificamos os utensílios, as ossadas e os demais vestígios que comprovam todo o processo de evolução dos povos primitivos que há mais de 50 mil anos habitaram a região do Parque Nacional, mudando, assim, radicalmente a teoria sobre a chegada do homem nas Américas.


Na madrugada de 28/11, saímos de São Raimundo Nonato em direção à cidade de Guadalupe para visitarmos a Hidrelétrica de Boa Esperança.


Na hidrelétrica, fomos encaminhados ao auditório, onde assistimos à palestra e ao vídeo institucional sobre como uma hidrelétrica funciona. Também recebemos orientações sobre medidas de segurança no local. Além disso, pudemos abordar algumas questões relativas ao caderno de pesquisa, que foram prontamente elucidadas pelo engenheiro responsável. Em seguida, passamos a conhecer as instalações da hidrelétrica e verificamos, na prática, todo o processo de geração e de distribuição de energia elétrica.


Ao final da visita, fizemos uma plenária para a discussão dos aspectos verificados in loco, as atividades do caderno de pesquisa e as questões energética e hidrografica do Piauí.


Resultados obtidos na pesquisa e nas plenárias


Apesar de ser considerada uma área de preservação e de proteção integral, na região do Parque percebe-se que os recursos naturais são utilizados de forma conservacionista, visto que há uma cerâmica, uma fábrica de mel e lojas de souvenirs, onde a própria comunidade é aproveitada como mão de obra. Uma das administradoras de um desses empreendimentos disse que foi preciso um longo trabalho de conscientização, qualificação e educação ambiental junto aos moradores da região para que deixassem práticas predatórias como a caça e as queimadas e passassem a trabalhar com as atividades acima citadas, que não geram degradação ambiental.


Mesmo assim, foi possível constatar:

  • a carência de infraestrutura turística na cidade-polo: São Raimundo Nonato;
  • a falta de conhecimento sobre a importância das comunidades das cidades próximas ao Parque;
  • a maior parte dos turistas, segundo o guia do Parque, Evair do Nascimento, vem de fora do Piauí: cerca de 17%, de países como França e Alemanha;
  • o Parque, internamente, carece de maiores investimentos em infraestrutura de apoio aos turistas e visitantes: não há posto de saúde e o número de funcionários é bastante reduzido frente aos mais de 129.000 hectares.

Em uma mensagem enviada ao IQE pela professora Benigna Barretos, Coordenadora de Língua Portuguesa do Programa Qualiescola/ SEMEC, desenvolvido pelo Instituto Qualidade no Ensino (IQE), que substituiu uma professora impossibilitada de participar do evento, colhemos o seguinte depoimento:


“Tive a oportunidade de vivenciar, juntamente com os formadores e professores de Geografia, momentos valiosíssimos de estudo, pesquisa, análise e comprovações, por meio das visitas - acompanhadas por guias -, à Serra da Capivara, ao Museu do Homem Americano e à Hidroelétrica de Boa Esperança. O grupo todo estava muito comprometido. Chegávamos às 19 horas das visitas, fazíamos uma pequena parada para o jantar e iniciávamos as plenárias para a sistematização das vivências do dia. No dia seguinte, acordávamos muito cedo, pois estávamos muito envolvidos pelas discussões da noite anterior. No primeiro dia, posicionei-me como aluna maravilhada com os conhecimentos adquiridos e sedimentados após a longa, exaustiva, porém importantíssima produção do dia de estudo. No segundo, vesti a camisa de professora de Língua Portuguesa, mostrando a NECESSIDADE de possibilitarmos, aos nossos alunos, momentos de ensino e de aprendizagem significativos e diversificados, dentro das inúmeras possibilidades que dispomos. Enfatizei a importância de uma aula interdisciplinar, da busca de parceiros de outras áreas no desenvolvimento do fazer docente e do conhecimento das características próprias de cada gênero textual”.


Fotos: