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Atividade de Campo: Ilha de Itamaracá (PE)




Os Formadores de Ciências do Programa Qualiescola (Recife – PE) Ana Regina, Riso Germano e Roberto Ventura, junto com a especialista Maria Teresinha Figueiredo planejaram e participaram de atividade na Ilha de Itamaracá dia 20/10 durante a tarde e a noite. Esse horário foi escolhido, pois a motivação principal da aula era a oportunidade de observar o céu noturno sem a interferência de luzes da cidade. Mas aproveitamos a viagem para observarmos o PROJETO PEIXE-BOI, uma oportunidade única de estudar a espécie de peixe-boi que ocorre no litoral brasileiro. Embora o horário de visitação terminasse às 16h00, contamos com a grande compreensão dos monitores que nos acompanharam aos oceanários, onde observamos o comportamento dos mamíferos marinhos quanto à sua alimentação: chegamos na hora em que a comida (alfaces inteiras, cenoura e beterraba cortadas em cubos) era distribuída aos animais.


Foram várias caixas de comida para 4 animais, o que nos deu a idéia da quantidade que eles ingerem por dia. Fomos informados que a experiência desenvolvida em Itamaracá permitiu aos oceanários abrigar não apenas os filhotes resgatados de peixe-boi (dóceis e vegetarianos), mas também outros mamíferos marinhos que encalham na costa nordestina, como baleias, golfinhos e até mesmo leões marinhos.


A visita prosseguiu no museu, onde vimos vários esqueletos, dentes, crânios, moldes de animais inteiros e alguns exemplares taxidermizados desse mundo de mamíferos aquáticos. Em geral, são todos fusiformes, sem pescoço, com nadadeiras e cauda carnosas, com a forma que o remo copiou: tudo muito propício à vida aquática. Possuem grossa camada de gordura sob a pele, proporcionando isolamento térmico: são mamíferos e sobrevivem mantendo sua temperatura corporal. A pele é lisa e pode não apresentar pelos, ou poucos pelos no focinho e ainda alguns também ao longo do corpo, como é o caso dos peixes-boi, que se acasalam, nascem e mamam embaixo d’água.


A programada visita ao FORTE ORANGE foi frustrada, pois soubemos que ele se encontra fechado e, infelizmente, sem projeto de recuperação.


Finalmente, a OBSERVAÇÃO NOTURNA do CÉU. Chegamos à praia quando estava escurecendo e assim pudemos localizar o planeta Vênus, próximo ao horizonte na direção do pôr do Sol. Observamos por vários minutos e ainda vimos Vênus em fase Crescente com a ajuda de uma luneta que Riso levou, até que na direção oposta, com o céu já bem escuro, começamos a ver o planeta Júpiter. Roberto queria entender como isso é possível: por que vemos Júpiter no lado oposto do horizonte em que vimos Vênus? Isso é que é postura investigativa! Como Vênus caminha entre o Sol e a Terra, só podemos vê-lo em ângulo próximo ao Sol: em alguns dias ao entardecer e em outros dias ao amanhecer. Poderíamos ter visto também Mercúrio no mesmo ângulo e horário de Vênus, mas a paisagem não permitiu, pois ele passa muito rente ao horizonte. Júpiter, que caminha em torno do Sol além da Terra, só é visto em certas épocas quando damos as costas ao Sol, em nossa rotação diária, e olhamos para o campo oposto do Universo. Assim também vemos Marte e Saturno, em outras épocas.


Estamos em uma época em que Vênus, visto ao entardecer, coincide com Júpiter visto ao anoitecer no mesmo dia. Pudemos diferenciar bem como vemos planetas, que parecem estrelas: possuem um brilho grande e fixo; já as estrelas cintilam. Observamos, entre outras, a constelação triangular de Capricórnio, que ali não lembramos o nome e o famoso caminho de leite ou Via Láctea, a visão para o centro da nossa galáxia, que aparece como uma mancha esbranquiçada atrás de várias estrelas. Ana Regina ficou muito surpresa ao decifrar o que via com seus olhos. A mancha é o resultado da luz de bilhões de estrelas que se encontram muito mais distantes do que as estrelas que vemos na sua frente. Enxergamos, assim, apenas a réstia de luz de estrelas que se encontram há milhares de anos-luz de distância e que podem, inclusive, nem existir mais... tudo sobre nossas cabeças, à nossa frente quando erguemos os olhos ao céu: literalmente uma viagem no espaço e no tempo!


Mas, a observação do céu não parou por aí para a professora Teresinha. Em e-mail a seus alunos-formadores pernambucanos ela conta o que viu em sua viagem de volta a São Paulo.


“A viagem de volta me reservou uma surpresa belíssima: do avião, sobre as nuvens, ao entardecer, pude ver Vênus como o vimos em Itamaracá, mas também vi Mercúrio pela primeira vez , abaixo de Vênus e fazendo uma trajetória no horizonte bem mais curta que aquele. Fiquei emocionada [sou apaixonada pelo céu mesmo!] e acho que não teria me fixado nessas observações se não estivesse estimulada pela nossa aula-passeio.


Ao chegar em Sampa, vi Júpiter, do jeito que o vimos aí. O campo de visão do céu aqui e aí em relação à Lua e os planetas é quase o mesmo; só muda um pouquinho algumas constelações e novamente vi Órion com suas 3 Marias, mas daqui vejo com facilidade o Cruzeiro do Sul e vocês, tão pertinho do Equador quase não tem ângulo para ele, como já conversamos.


Pensei o óbvio: depois de quase 3 mil km e 3 horas de avião para o Sul, mudando quase 20 graus de latitude, o céu aqui é praticamente o mesmo que aí... como somos quase nada no Universo!”


Fotos: