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 Notícias sobre educação
 


Cordel usado em sala de aula na E. M. Marclio Rangel




(http://semec.teresina.pi.gov.br/Portal/index.php?IdPage=6&IdNoticia=3267)


Uma narrativa de enigma
É feita com criatividade
O detetive não pode ser culpado
De ter feito toda a maldade.
Não crie coisas óbvias
Use a racionalidade!


Essa é uma estrofe do Cordel feito pela professora Maria Eliana, da Escola Municipal Marcílio Rangel, para explicar o que é a narrativa de enigma aos alunos do 8º e 9º ano. O gênero literário é uma das temáticas abordadas nas provas do IQE e a professora está buscando novos formatos para levar o aprendizado aos alunos.


Usando um pouco de criatividade e a linguagem de cordel já estudada na escola, Maria Eliana utilizou estrofes da modalidade que une literatura e cultura e produziu também uma homenagem aos seus alunos, incentivando o avanço da turma com as rimas “Esse ano tem IDEB, e vocês vão nos representar, por isso, meus alunos, não vão nos decepcionar! Estudem, se dediquem, para a escola melhorar”.


A busca por novos métodos de aprendizagem é uma característica incentivada pela Secretaria Municipal de Educação (SEMEC) e desenvolvida com empenho por muitos professores da Rede, o que reflete em ganhos reais de aprendizagem para os alunos.


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Promoção da aprendizagem através da narrativa de enigma

Por Sidalina Gouveia*


Elementar meu caro Watson!”, eis a frase cuja autoria é indiscutível. Mesmo a pessoa que não tenha lido um dos contos de Sir Arthur Conan Doyle, com certeza ouviu falar de seu mais conhecido personagem, Sherlock Holmes. Pois, de acordo com a notícia “Cordel é usado em sala de aula na E. M. Marcílio Rangel”, publicada em vários sites piauienses, os alunos da professora Maria Eliana saberão, dentre muitas outras coisas, que Doyle não foi o único a dar vida a personagens de histórias policiais. A professora, empenhada em promover a aprendizagem dos alunos e o êxito dos mesmos em avaliações da própria escola e externas, como a do Instituto Qualidade no Ensino - IQE (o IQE desenvolve o Programa Qualiescola, por meio de metodologia própria e de materiais subsidiários à formação de formadores de professores e de professores), introduziu a narrativa de enigma em suas turmas de 8º e 9º anos por meio de versos de cordel.


Nas oficinas de formação do Programa Qualiescola, os professores participantes estudam, por exemplo, como transpor para a sala de aula conhecimentos sobre o gênero narrativa de enigma. A leitura dessas narrativas é sempre bastante instigante do ponto de vista do leitor que, ao se identificar com o detetive, fica atento a tudo para, tal qual o investigador, chegar à resolução do enigma apresentado. Entretanto, ações que parecem muito simples, mostram-se complexas: a leitura e a compreensão desse gênero de texto exigem, na verdade, bastante atenção do leitor devido à existência de inúmeras pistas — nem todas verdadeiras — lançadas a sua apreciação e análise; ou em razão da inversão da ordem — característica diferente da verificada em narrativas comuns ao universo de sala de aula, como a fábula.


Além da leitura e da análise de exemplares do gênero narrativa de enigma, os professores participantes do Programa Qualiescola estudam como transpor para a sala de aula as especificidades do cordel — caracterizado como uma forma popular de narrativa tipicamente nacional, porém pouco frequente em livros didáticos e/ou pouco trabalhado em sala de aula, sem que sejam considerados o contexto de produção, a organização composicional, as marcas linguísticas e enunciativas próprias desse gênero, que determinam seu uso. O objetivo do trabalho com o gênero cordel é subsidiar a prática do professor no sentido de levar o aluno a conhecer, a entender, a valorizar e, em alguns casos, a recuperar uma prática que parece fazer parte de um passado distante.


Durante as aulas sobre o cordel, os alunos estudam que no passado os folhetos eram ilustrados principalmente com xilogravuras, ou seja, gravuras rústicas feitas a partir de entalhes em chapas de madeira. Hoje, entretanto, em geral, as capas são ilustradas com figuras coloridas, impressas nas tipografias das editoras. Aprendem, ainda, que a extensão do cordel também pode variar: há os de, no máximo, oito páginas, há os de dezesseis e os de trinta e duas páginas; que os textos do cordel têm a sextilha (conjunto de seis versos, com versos heptassílabos — sete sílabas) como estrofe básica, mas há também as septilhas, oitavas e as décimas (respectivamente, com sete, oito e dez versos).


Os estudos desenvolvidos nas oficinas de formação de professores do Programa Qualiescola não estão restritos às especificidades dos diferentes gêneros. A produção de textos — entendida como interlocução, como diálogo com outros gêneros que circulam socialmente — também tem o seu espaço assegurado. Os professores têm visto que produzir texto é trazer para o próprio texto as diferentes falas, ideias que circulam nos diferentes gêneros. Daí a importância de a escola enfatizar, além da leitura de diferentes gêneros, as estratégias pelas quais se pode dar voz: discurso direto, discurso indireto, discurso indireto livre. É nesse sentido que entendemos a atividade de produção articulada à de leitura. Não que escrever bem seja uma decorrência automática da leitura, mas porque para escrever é necessário ter sobre o que escrever. E a leitura, a busca de informações novas em várias fontes vai formar um repertório para que o aluno tenha sobre o que dizer e como dizer.


* Sidalina Gouveia é Coordenadora de Língua Portuguesa do IQE